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    January 20

    Quando tiverem dois minutos, leiam! Vale a pena!

     Quando tiverem dois minutos, leiam! Vale a pena!
     
     
     "Precisa-se de matéria prima para construir um País"
     
     Eduardo Prado Coelho - in Público
     
     
     

    "A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
     
     Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
     
     Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ... e para eles mesmos.
     
     Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
     
     Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.
     
     Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
     
     Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.
     
     Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte...
     
     Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada...
     
     Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?
     
     Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa.
     
     E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!
     
     É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
     
     Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
     
     Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.
     
     Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim,
     exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e
     
     ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ.
     NÃO PRECISO PROCURÁ- -LO EM OUTRO LADO.
     
     E você, o que pensa?.... MEDITE!
     
     EDUARDO PRADO COELHO

    January 19

    Inteligência computacional

    Inteligência computacional


    Diálogo entre um cliente e um técnico do suporte do Word Perfect, hoje desempregado:
    Técnico: "Técnico de computador da Ridge Hall; posso ajudá-lo?"
    Cliente: "Sim, bem, estou a ter problemas com o Word Perfect."
    Técnico: "Que tipo de problema?"
    Cliente: "Bem, eu estava a escrever normalmente, quando de repente as palavras desapareceram do écran"
    Técnico: "Desapareceram?!?"
    Cliente: "Sim, desapareceram."
    Técnico: "Humm... Como está o écran agora?"
    Cliente: "Nada."
    Técnico: "Nada?"
    Cliente: "Está escuro; não aparece nada do que eu escrevo"
    Técnico: "Você continua com o Word Perfect aberto, ou você saiu?"
    Cliente: "Como assim?"
    Técnico: "Deixe-me ver. Está a aparecer o C: prompt no écran?"
    Cliente: "O que é um "sea-prompt"?"
    Técnico: "Esqueça. Você pode mover o cursor no écran?"
    Cliente: "Não aparece nenhum cursor. Eu disse, não aparece nada do que eu escrevo"
    Técnico: "O seu monitor tem um indicador de "ligado"?"
    Cliente: "O que é um monitor?"
    Técnico: "É esta coisa com écran que parece uma televisão. Ele tem uma luzinha que diz se está ligado ou desligado?"
    Cliente: "Não sei"
    Técnico: "Bem, olhe para a parte de baixo do monitor e procure pelo cabo da alimentação que vem com ele. Você pode vê-lo?"
    Cliente: "Sim, acho que sim."
    Técnico: "Óptimo! Siga o cabo até a tomada, e verifique se ele está ligado na parede"
    Cliente: "Sim, está"
    Técnico: "Quando você olhou para trás do monitor, você viu se há dois cabos ligados atrás dele, ou só um?"
    Cliente: "Não"
    Técnico: "Bem, veja de novo atrás do monitor e procure pelo outro cabo."
    Cliente: "O.k., achei."
    Técnico: "Siga o cabo, e veja se ele está ligado no computador."
    Cliente: "Não consigo alcançar."
    Técnico: "Uh huh. Bem, você pode ver se está ligado?"
    Cliente: "Não"
    Técnico: "Tente subir para cima de um banquinho e ver por cima..."
    Cliente: "Oh, não é porque eu não consigo achar um ângulo correcto, é porque está muito escuro aqui"
    Técnico: "Escuro?"
    Cliente: "Sim. A luz do escritório está desligada, e a única luz que tenho aqui é a que vem da janela"
    Técnico: "Bem, ligue a luz do escritório, então"
    Cliente: "Não posso"
    Técnico: "Não? Por que não?"
    Cliente: "Porque não há luz."
    Técnico: "Não há... não há luz? Ah! O.k., descobrimos o problema! Você ainda tem as caixas, os manuais e todo o material que veio com seu computador?"
    Cliente: "Bem, tenho, guardei tudo no quartinho."
    Técnico: "Óptimo! Pegue-os, desligue o seu computador e reembale-os da mesma maneira que você os recebeu. Então, devolva-o para a loja na qual você o comprou."
    Cliente: "Verdade? É tão serio assim?"
    Técnico: "Sim, suspeito que sim."
    Cliente: "Bem, tudo certo. O que digo para quem me atender na loja?!"
    Técnico: "Diga-lhes que você é muito burro para ter um computador"

    January 13

    A GRIPE DAS AVES

    A GRIPE DAS AVES

     

    O síndroma originado pelos vírus influenza foi referido pela primeira vez por Hipócrates, no ano 412 AC, e a primeira descrição completa de uma pandemia gripal data de 1580 (Era Cristã); desde então ocorreram mais de 30 pandemias causadas por diferentes tipos de vírus influenza. No século XX houve três grandes pandemias, todas originadas e transmitidas por animais (suínos em 1918 e aves em 1957 e 1968). A mais devastadora foi a "gripe espanhola", devida ao vírus Influenzae A(H1N1), que matou entre 30 e 40 milhões de pessoas entre 1918 e 1920. As pandemias de 1957 (gripe asiática) e de 1968 (gripe de Hong Kong) mataram mais de 4 milhões de pessoas, sobretudo crianças e idosos; a primeira foi devida ao subtipo A(H2N2) e a segunda aos subtipos A(H3N2) e A(H1N1).

    Conhecem-se actualmente três tipos diferentes de vírus influenza: A, B e C. O tipo A subdivide-se ainda em vários subtipos, sendo os subtipos H1N1, H2N2 e H3N2, responsáveis por grandes epidemias e pandemias. O tipo B também tem originado epidemias mais ou menos extensas e o tipo C está geralmente associado a casos esporádicos e surtos localizados.

    Os tipos A e B circulam continuamente em populações humanas e sofrem mutações frequentes. Em relação ao tipo A, podem surgir subtipos completamente novos ("shift" antigénico), responsáveis por epidemias e pandemias mais ou menos extensas (vulnerabilidade global das populações, devida a inexistência de exposição anterior ao vírus). Estes "shifts" antigénicos, ocorrem irregularmente e resultam da recombinação imprevisível entre antigénios humanos e animais (suínos ou aves, sobretudo patos/gansos). As alterações antigénicas "minor" ("drift" antigénico) são frequentes nos tipos A e B, e são responsáveis pelas epidemias periódicas, geralmente anuais, que ocorrem em inúmeros países e regiões dos cinco continentes. As adaptações anuais às vacinas anti-influenza efectuam-se com base nestes "drift" antigénicos.

    Em Maio de 1997, o vírus Influenzae A(H5N1) foi isolado pela primeira vez em humanos, numa criança de Hong Kong que faleceu com o Síndroma de Reye - o Síndroma de Reye, envolvendo o sistema nervoso central e o fígado, é uma complicação rara em crianças e está associada à ingestão de salicilatos (p.e. aspirina), sendo mais frequente em crianças com Influenzae B e menos frequente nos casos de Influenzae A.

    Antes deste acontecimento, só se tinha conhecimento da ocorrência do vírus Influenzae A(H5N1) em diferentes espécies de aves (daqui a designação de "gripe das aves"), incluindo galinhas e patos/gansos, sabendo-se ainda que a maior parte das galinhas infectadas morriam num curto espaço de tempo, e que patos/gansos eram os principais reservatórios do vírus. O subtipo H5N1 foi isolado pela primeira vez em estorninhos, em 1961, na África do Sul.

    Durante a primavera de 1997, foi detectado em Hong Kong um elevado número de galinhas doentes com "gripe das aves" e subsequentemente foram diagnosticados 18 casos de infecção pelo H5N1 em pessoas residentes no Território, 6 dos quais foram fatais (taxa de letalidade: 33%). Estudos iniciados durante o surto de Hong Kong, comprovaram posteriormente a transmissão animal-homem (aves vivas → homem) e a inexistência de risco de infecção através do contacto ou consumo de carnes frescas ou congeladas dos animais. Contudo, ainda não foi possível excluir-se a possibilidade de transmissão homem-homem.

    As estratégias seguintes não sofreram alteração relativamente à proposta inicial de «Plano Estratégico para a Prevenção e Controlo da Infecção pelo Vírus Influenza A(H5N1) em Macau», elaborada na Unidade Técnica de Vigilância Epidemiológica. Com base no mesmo plano, foi criado um grupo de trabalho responsável pela implementação e coordenação de todas as actividades necessárias à prevenção e controlo de um eventual surto em Macau, dada a grande proximidade com a República Popular da China e Hong Kong.

    Em 1997 e 1998 não se verificou a ocorrência de qualquer caso ‘suspeito’ ou ‘confirmado’ de infecção pelo vírus Influenzae A(H5N1), tanto em humanos como em animais. Para efeitos de vigilância consideraram-se as seguintes definições:

    Casos suspeitos: todos os casos que apresentaram sinais e sintomas sugestivos, após exclusão de infecção pelo vírus do tipo B, mas com história sugestiva de contactos com o vírus H5N1 (p.e. aves e/ou pessoas com doença provável ou confirmada) e/ou viagens para locais onde a doença ocorria;

    Casos prováveis: todos os casos que apresentaram sinais e sintomas sugestivos, mas com evidência laboratorial preliminar do vírus A(H5N1), por exemplo através da positividade de um teste rápido específico (kit distribuído pela OMS);

    Casos confirmados: todos os casos confirmados laboratorialmente, por isolamento do vírus A(H5N1) ou por teste de neutralização (realizável em Hong Kong).

    In "http://www.saudepublica.web.pt"

     

     

    Até agora, a gripe das aves vinha atacando em força na Ásia, onde já fez dezenas de vítimas humanas este ano e levou ao abate de milhões de animais. No entanto, os focos mais alarmantes para a Europa surgiram no final de Julho na Rússia, em aviários da região de Novossibirsk (Sibéria), e semanas depois no Cazaquistão.
    Na mesma altura, os primeiros casos dentro da União Europeia foram detectados no aeroporto de Bruxelas. Nas bagagens de um passageiro oriundo da Ásia foram descobertas duas aves selvagens contaminadas com o vírus H5N1, a estirpe que se transmite aos humanos, o
    que levou o ministro alemão da Agricultura a declarar que "a gripe das aves se aproxima cada vez mais das nossas fronteiras".
    A possibilidade de a doença se espalhar por todo o Continente Europeu levou mesmo os responsáveis da UE a tomar algumas medidas de restrição na importação de aves daqueles países.
    Para evitar o contacto com as aves migratórias que estão para chegar da Rússia, o Governo holandês accionou medidas unilaterais decretando no início da semana que todos os animais de capoeira destinados a consumo estão proibidos de andar ao ar livre.
    Portugal seguiu o exemplo e aplicou
    medidas semelhantes para preparar a chegada em Setembro dos estorninhos, tordos, picanços, pombos e rolas. Em Novembro, são esperadas as aves aquáticas do Norte da Europa - patos e gaivotas.
    Pandemia de gripe das aves seria catastrófica
    Já em 2004, várias organizações internacionais e associações médicas do Ocidente vinham avisando para os riscos de uma pandemia de gripe das aves à escala global com efeitos incalculáveis para a saúde pública e a economia global.
    Em Novembro do ano passado, médicos norte-americanos e a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertavam para os riscos de um cenário de disseminação da doença através do globo.
    "Pensamos que estamos mais perto do que nunca da próxima pandemia", declarou então Klaus Stoehr, alto responsável da OMS. Na mesma altura, os responsáveis advertiam igualmente para a falta de preparação das autoridades
    de saúde e dos fabricantes de vacinas.
    Traçando um cenário catastrófico, Klaus Stoehr falou da possibilidade mais do que provável de virem a ocorrer milhões de mortos.
    "Em cada século houve até agora três ou quatro pandemias e não há qualquer razão para pensarmos que vamos ser poupados a essa fatalidade. Não há data para isso, mas vai haver uma nova pandemia", sublinhava o coordenador do programa da OMS contra a gripe, acrescentando a ideia, agora inquietante, de que o vírus da gripe das aves é "certamente o que está mais próximo de provocar a próxima pandemia".

    Por outro
    lado, um estudo financeiro traçou recentemente um cenário igualmente negro para a economia global. Nas previsões mais pessimistas dos analistas do grupo financeiro BMO Nesbitt Burn é referido que uma pandemia de gripe das aves poderá vir a ter repercussões semelhantes à grande depressão do século passado.
    "O impacto económico de uma pandemia poderá ser comparável, pelo menos durante um curto período de tempo, à grande depressão dos anos de 1930", advertiu o economista chefe do Banco de Montreal (BMO), Sherry Cooper.
    As autoridades médicas citadas no relatório sustentam um cenário em que é possível o desenvolvimento de uma
    epidemia na Ásia que posteriormente se propagará causando 50 milhões de mortos e milhares de milhões de doentes.
    Segundo o estudo "O guia dos investidores sobre a gripe das aves", uma pandemia poderá devastar as indústrias aérea e turística e conduzir a um número recorde de falências em todos os sectores da economia, dizimando ainda as companhias de seguros. Um dado curioso acrescentado pelo estudo revela que o comércio electrónico deverá conhecer um grande "boom" - segundo a ideia de que o "contacto" entre pessoas e regiões evitará uma maior propagação da doença.
    A reforçar os riscos de alerta, durante uma
    conferência em Fevereiro deste ano na Fundação Gulbenkian, especialistas sublinharam que se aproxima o fim do período interpandémico, estimativa segundo a qual uma pandemia surge em intervalos que podem ir dos 10 aos 50 anos, sendo que a última ocorreu em 1968.
    Portugal não escapa da rota do vírus H5N1
    Um responsável da Direcção-Geral de Saúde (DGS) alertou recentemente para a inevitabilidade de a gripe das aves entrar no nosso país.
    Uma pandemia de gripe das aves "entrará mais tarde ou mais cedo em Portugal", sublinhou Mariano Ayala, durante a apresentação em Junho do Plano de Contingência de resposta do Ministério da Saúde a esse cenário.
    Numa perspectiva jurídica do problema, aquele responsável referiu que as medidas a tomar pelas autoridades levarão necessariamente à restrição de alguns direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, considerando que "numa situação extrema, há alguns valores constitucionais que terão que ser limitados".
    "Precisamos
    de um mecanismo de vigilância verdadeiramente fiável para controlar a entrada do vírus no país", disse Mariano Ayala, no decorrer do Fórum Luso-Espanhol para Apresentação dos Planos de Contingência para uma Eventual Pandemia de Gripe nos dois países ibéricos.
    Por exemplo, os motoristas de camiões TIR serão considerados um "grupo prioritário" na intervenção das autoridades sanitárias.
    Outra das medidas debatidas teve que ver com o reforço da capacidade laboratorial, com a "definição e operacionalização do uso de testes de diagnóstico rápido" e com o adequado "fornecimento e armazenamento de reagentes".
    Um outro apelo foi dirigido pelo subdirector-geral de
    Saúde aos órgãos de comunicação social. Francisco George pediu para que fossem divulgados os alertas da DGS, mas que fosse evitado "lançar alarmes" na opinião pública.
    Portugal investe 20 milhões de euros para preparar chegada da gripe
    Já integrado na rede de trabalho que envolve a OMS e a UE no que diz respeito à "vigilância" da gripe das aves, Portugal não deixou de tomar medidas preventivas próprias e comprou este ano 2,5 milhões de tratamentos contra uma eventual pandemia.
    O medicamento - cuja substância activa é o ozeltamivir - é reconhecido pelo Ministério da Saúde como o mais eficaz na prevenção da multiplicação do vírus da gripe, confirmou o subdirector-geral da Saúde, Francisco George.
    Os anti-virais, que deverão chegar a Portugal no final do ano, permitirão 2,5 milhões de tratamentos, o que assegura a protecção de um quarto
    da população portuguesa.
    As autoridades de Saúde pretendem assim evitar uma catástrofe sanitária que se traduziria, no mais negativo dos cenários na morte de 11 mil pessoas, caso não fossem tomadas as medidas preventivas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde.
    Esta semana, a farmacêutica suíça Roche doou à OMS uma grande quantidade do seu medicamento Tamiflu. Suficiente para tratar três milhões de pessoas, esta reserva de anti-viral deverá constituir a primeira linha de defesa na eventualidade de uma pandemia de gripe das aves.
    A ameaça do vírus mutante
    Apesar de o vírus não ser actualmente capaz de se transmitir facilmente de homem para homem, os especialistas temem uma mutação do H5N1 a partir do cruzamento com um vírus corrente da gripe humana, o que poderia torná-lo mais transmissível.
    Um dos casos que centrou a atenção os cientistas ocorreu no início de 2004 no Vietname, onde três irmãos (duas raparigas e um rapaz) morreram no que se chegou a pensar que era o primeiro caso de transmissão do vírus H5N1 entre seres humanos.
    Testes genéticos posteriores demonstraram que tal não havia sido o caso, mas os especialistas
    continuam a não descartar a hipótese de o vírus da gripe das aves vir a sofrer ele próprio uma mutação genética ou a cruzar-se com um vírus da gripe comum, tornando-se mais agressivo no contacto entre humanos.
    Mais recentemente, os receios relacionados com a versatilidade do H5N1 reacenderam-se com a notícia de que esta estirpe mortal foi descoberta em porcos na China, o que aconteceu pela primeira vez.
    Dada a semelhança genética entre aqueles animais e o Homem, peritos voltaram a referir a possibilidade de ocorrer, no ser humano, uma junção entre os vírus da gripe das
    aves e da gripe humana clássica, da qual poderia emergir um novo vírus capaz de provocar uma epidemia planetária semelhante à gripe espanhola que fez mais de 20 milhões de mortos no século XX.